Fármacos biológicos causam 11 vezes menos internamentos

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Menos internamentos, menos urgências, menos cirurgias e menos baixas. E, sobretudo, mais qualidade de vida. Este é, segundo o estudo que é apresentado esta terça-feira pela Plataforma Mais Saúde (PMS), o impacto que os medicamentos biológicos (fabricados por métodos de biotecnologia, com produtos de origem biológica, geralmente envolvendo organismos vivos ou seus componentes activos) têm nos doentes, avança o jornal Público.

Preocupados com as possíveis dificuldades de acesso dos doentes a esta resposta terapêutica com custos muito elevados para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), os responsáveis da PMS apresentam um estudo que quer demonstrar a importância daqueles fármacos.

“São medicamentos caros, sem dúvida, mas o mais importante a ter em conta são os ganhos em saúde. Os doentes bem tratados significam menos baixas, menos internamentos, menos urgências e mais qualidade de vida”, sublinha a presidente da PMS, Arsisete Saraiva, em declarações ao Público. A responsável admite que a divulgação deste estudo está intimamente ligada à preocupação com eventuais dificuldades de acesso dos doentes a estes fármacos (apenas disponíveis em farmácia hospitalar mediante prescrição do médico). Aliás, segundo afirma, “alguns hospitais já estarão a colocar alguns obstáculos”, nomeadamente com a decisão de não disponibilizar as doses necessárias para mais de um mês de tratamento, optando antes por dispensar apenas a quantidade necessária para uma semana, obrigando o doente a deslocar-se várias vezes ao hospital.

Arsisete Saraiva lembra que a lei não permite que os hospitais recusem esta medicação e revela ainda que já recebeu algumas reclamações de doentes. “Devo ter recebido cerca de uma dezena e foram todas remetidas para o secretário de Estado da Saúde. Reconheço que são poucas, mas é preciso lembrar que os doentes têm medo de reclamar porque têm medo de sofrer retaliações”, acrescenta. Apesar de já ter recebido a garantia do secretário Estado da Saúde, Leal da Costa, sobre a continuidade deste tratamento para os doentes que actualmente têm acesso a medicamentos biotecnológicos, Arsisete Saraiva continua inquieta. “E os novos doentes? Vamos ver”, refere a responsável, aproveitando para lembrar que a “falida Grécia faz este tratamento três vezes mais do que nós e a Espanha duas vezes mais”.

O estudo da PMS – que será esta terça-feira apresentado no Infarmed, numa sessão que conta com a presença do secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, e dos membros da Comissão Parlamentar de Saúde, entre outros – baseia-se nos resultados de um inquérito telefónico junto de mais de 1500 doentes e quis avaliar o impacto da terapêutica biológica na qualidade de vida daqueles que sofrem de doenças inflamatórias crónicas, tais como artrite reumatóide, espondilite anquilosante, doença de Crohn e psoríase, avança o Público.

As quatro associações que constituem a PMS representam cerca de 400 mil doentes. O trabalho da PMS conclui que “existem diferenças significativas do controlo da doença entre os doentes que se encontram sob terapêuticas biológicas em contraste com os doentes sob terapia convencional”.

Tomando como exemplo o caso da artrite, os resultados do estudo revelam, por exemplo, que “os doentes a fazer biotecnológicos foram seis vezes menos operados que aqueles que os não faziam (4% contra 26%), tiveram 11 vezes menos internamentos (4% vs 47%) e recorreram seis vezes menos às urgências (11% vs 72%)”. Já “o número de dias perdidos por baixa foi cinco vezes menor após o início da toma dos medicamentos biotecnológicos (11% vs 56%)”. Os gastos dos doentes com fármacos também são menores. “O gasto com medicação suportada pelos doentes foi abaixo dos 50 euros apenas para 1/3 dos doentes sem tratamentos com biotecnológicos contra mais de 2/3 dos que faziam estes medicamentos”.

Por fim, o impacto no dia-a-dia: “92,5% dos doentes consideravam que a sua doença os impedia muito de fazer actividades do dia-a-dia, porção que passa para os 8,3% após o início do tratamento com biológicos”.

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