Espondilite Anquilosante, diagnostico tardio e a degeneração

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Em tempos de rotina atribulada,  não prestamos a devida atenção as dores na coluna

 (Por Gabriella Caldeirão)

Estima-se que 80% da população brasileira já sentiu dor incapacitante na  lombar ou coluna, muito embora pareça apenas uma dor causada pelo cansaço ou má postura, alguns sintomas devem ser levados em consideração e trazer ao alerta para grandes problemas, inclusive para a Espondilite Anquilosante, uma doença degenerativa.  

A espondilite anquilosante é um tipo de inflamação que afeta os tecidos conjuntivos, caracterizando-se pela inflamação das articulações da coluna e das grandes articulações, como quadris, ombros e outras regiões. Embora não exista cura para a doença, o tratamento precoce e adequado consegue tratar os sintomas – inflamação e dor, – estacionar a progressão da doença, manter a mobilidade das articulações acometidas e manter uma postura ereta. 

A causa da doença ainda é desconhecida, segundo a cartilha do Portador de Espondilite Anquilosante da Sociedade Brasileira de  Reumtologia,  o marcador genético HLA-B27, esse é um fator  quase sempre decisivo  para o diagnostico, uma vez que a doença é cerca de 300 vezes mais frequente em pessoas que herdam um determinado marcador genético, quando comparadas com aquelas que não possuem esse marcador 

A espondilite anquilosante não é transmitida por contágio ou por transfusão sanguínea, ela pode ser desencadeada por algum quadro inflamatório, intestinalA hereditariedade é algo  ainda discutido, segundo estudos, 15% dos filhos de portadores herdarão tal patologia, dentro de um quadro familiar, é possível que apenas um portador desenvolva o quadro severo da doença.  

Diagnosticada com Espondilite Anquilosante há três anos, Gabriella Caldeirão, 28 anos de idade, só descobriu sua doença após o falecimento de seu pai que era portador da “EA” há mais de 20 anos. “Desconfiei que era portadora de Espondilite quando meu pai Marcos Rogerio faleceu por conta de problemas cardíacos associados a degeneração causada pela doença”.  Caldeirão sentia dores incapacitantes na região lombar desde os 10 anos de idade, mas por se tratar de uma criança e do sexo feminino, nenhum profissional diagnosticou o problema. “Depois de estudar muito sobre o assunto, resolvi procurar um especialista para realizar exames mais específicos, só após todos os exames finalizados e marcador genético positivo, tive em fim o veredito, Portadora de Espondilite Anquilosante”.  

Gabriela e seu pai
Gabriela e seu pai

O Diagnostico tardio da doença pode agravar o quadro, mas se tratado a tempo pode evitar a anquilose da coluna, ou popularmente conhecida, “coluna de bambu”.  Quando há anquilose na coluna, o tórax não se expande como deveria, podendo causar insuficiência respiratória,  inflamação pode afetar as valvas do coração e as articulações ou discos entre as vértebras, podendo assim comprimir um nervo ou a medula óssea, causando dormência, fraqueza muscular e dores.  Psoríase, inflamação na pele, é um sinal muitas vezes não apenas dermatológico,  esta condição pode ser associada a um quadro de artrite. Problemas intestinais como Colite e  Doença de Chron  podem ser associados também à alguns  portadores de Espondilite Anquilosante.  

Afim de levar informações sobre a doença, Gabriella Caldeirão, criou um grupo de apoio aos portadores de familiares, “Criei o AMAR-  Grupo Marcos Rogerio em Apoio ao Portador de Espondilite Anquilosante, a principio em homenagem ao meu Pai, que sofreu por anos com esta enfermidade sem o tratamento adequado, após alguns meses descobrir que sou portadora também, sigo ajudando com informações e dicas, tenho esta necessidade!” comenta.  

Marcos Rogerio (pai da Gabriela)
Marcos Rogerio (pai da Gabriela)

Ao menor sinal dos sintomas, é preciso procurar um reumatologista, não há como prevenir a doença, mas o tratamento adequado é imprescindível para uma melhor qualidade de vida. 

Sejam bem vindos!