Entendendo Doença Autoimune, HLA-B27 e Dieta sem Amido

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“Fogo amigo”

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Quem nunca ouviu essa expressão ao ouvir o noticiário sobre guerras? É uma expressão utilizada para definir um ataque feito por amigos, colegas ou aliados. Expressão utilizada em guerras quando algum ataque ou bombardeio atinge as próprias tropas ou as tropas aliadas, normalmente por erro de cálculo ou de interpretação. Diz-se, também, de atitudes de traição.

“Dois soldados da OTAN morrem por fogo amigo no Afeganistão”

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Anticorpos: Nosso corpo está em constante contato com possíveis agentes causadores de doenças. Sendo assim, é fundamental que nosso organismo possua armas contra esses agentes. Uma dessas armas é o chamado anticorpo.

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Anticorpo

Os anticorpos são proteínas que atuam defendendo nosso corpo contra micro-organismos e substâncias estranhas, que são chamadas de antígenos. Essas proteínas ligam-se a um determinado antígeno e causam a sua destruição ou, então, fazem com que ele pare sua atividade.

Os anticorpos são produzidos pelos linfócitos B maduros (também chamados de plasmócitos), que são um tipo de glóbulo branco presente no nosso sangue. Cada antígeno desencadeia a produção de um determinado anticorpo, sendo que cada anticorpo só atua em um determinado antígeno.

Em virtude da especificidade da reação antígeno-anticorpo, frequentemente eles são comparados a uma chave e uma fechadura. Cada chave é capaz de abrir apenas uma fechadura, o mesmo acontece com um anticorpo que só é eficaz contra um antígeno. Isso quer dizer que um anticorpo que atua defendendo-nos contra uma bactéria não será útil para nos defender contra um vírus.

Uma característica extremamente interessante a respeito do nosso corpo é a capacidade de memória. Se formos contaminados por um antígeno que já nos causou algum problema no passado, rapidamente nosso corpo começará a produzir anticorpos. Isso ocorre porque, após uma infecção, ficam em nosso corpo células de memória. Elas possuem a capacidade de reconhecer um agente infeccioso ao qual já tivemos contato.

Esse mecanismo é fundamental para a eficiência das vacinas, substâncias feitas a partir de antígenos que são tratados a fim de não causarem doenças. Ao vacinar uma pessoa, o corpo começa a produzir anticorpos e células de memória. Sendo assim, quando esse micro-organismo entrar em contato com nosso corpo, rapidamente será destruído, uma vez que os anticorpos vão ser produzidos de maneira mais rápida.

Antígenos: Os antígenos são as substâncias que estimulam a produção dos anticorpos e, além disso, que reagem especificamente com eles.

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Figuras verdes são os antígenos

Essa substância pode ser uma proteína, um polissacarídeo ou um complexo que contenha as duas substâncias citadas. Os antígenos, normalmente, são os vírus, as bactérias, substâncias presentes na saliva de insetos inoculadas por suas picadas, ou ainda por porções de alimentos que não são totalmente digeridas.

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Autoanticorpos: Um autoanticorpo é um anticorpo (um tipo de proteína) produzido pelo sistema imune que atua contra uma ou mais proteínas do próprio indivíduo que o produziu. Os autoanticorpos têm as mesmas propriedades bioquímicas e físico-químicas dos outros anticorpos. A grande diferença está em suas propriedades imunológicas, ou seja, os autoanticorpos estão relacionados com as doenças auto-imunes.

Enquanto que a maioria dos anticorpos produzidos pelo corpo (pelos linfócitos B) reage contra antígenos estranhos (micróbios em geral, células tumorais, etc), os autoanticorpos reagem contra componentes do próprio organismo (proteínas celulares, DNA no núcleo celular). O aparecimento de grande quantidade de autoanticorpos no organismo é uma situação patológica que envolve a quebra da tolerância imunológica

Este tipo de reconhecimento aberrante geralmente provoca doenças autoimunes, sendo que o protótipo é o lúpus eritematoso sistêmico (LES) em cuja doença são encontrados autoanticorpos que reagem contra o núcleo das células dos pacientes.

Apesar de numerosas pesquisas científicas na área da imunologia de doenças autoimunes, os pesquisadores ainda não encontraram uma única causa (etiologia definida) para a quebra da tolerância imunológica e, em conseqüência, o aparecimento destas doenças.

Os resultados indicam que o fenômeno está associado à predisposição genética dos pacientes (presença de certos alelos HLA) junto com condições ambientais favoráveis.

Nesse caso para simplificar a compreensão é como “Fogo Amigo”. Quem deveria nos defender acaba confundindo estruturas de nosso organismo como organismo invasor e acaba nos atacando.

Assim como nosso sangue é classificado em letras: A, B, AB e O, todos com fatores positivos e negativos, nossos tecidos corporais são classificados com letras e números por ter uma diversidade maior: HLA (Em inglês Human leukocyte antigen ou Antígeno Leococitário Humano) o HLA normalmente é subdividido em A, B e C, no caso em discussão descreveremos o B. O HLA-B é atribuído a cada um um número diferenciando do tipo sanguíneo que é atribuído apenas o fator + ou -. O HLA-B27 está presente em mais de 90% dos pacientes com Espondilite Anquilosante e aproximadamente 5% dos indivíduos normais que carregam este gen desenvolvem a doença.

Por que a dieta baixa em amido ou zero amido?

Após inúmeras pesquisas do Professor Alan Ebringer, a Dieta sem Amido começou a ser testada em muitos pacientes com EA. Os resultados têm sido bastante reveladores. Tanto que este professor é conhecido como “o médico que incomoda”.

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Dieta paleolítica

Inúmeros relatos mostram como a dieta, conjugada com o exercício físico, diminui consideravelmente os índices de inflamação, no organismo.

Segundo o Professor Alan Ebringer, muito sucintamente, tudo se resume ao seguinte:

No intestino grosso encontra-se a Klebsiella Pneumoniae. Este bacilo tem uma estrutura bastante similar à estrutura do gene HLA-B27 (Human Leukocyte Antigen B27, moléculas presentes na maioria das células, especialmente em doentes com ea). Por essa razão, os anti-corpos responsáveis pela destruição do bacilo, destroem também as células deste gene.

A destruição das células do gene HLA-B27 causa a deterioração da coluna vertebral, e outras estruturas com o colágeno(articulações sinoviais) causando a inflamação e, consequentemente, as dores.

Ao reduzir a população de bacilos Klebsiella, diminui a produção dos anticorpos responsáveis pela sua destruição. Logo, as células do gene HLA-B27 não são destruídas e, assim, a inflamação decresce fazendo a dor desaparecer.

Os bacilos Klebsiella alimentam-se de açúcares derivados de amido – um hidrato de carbono complexo, composto de moléculas longas de açúcares que se encontra no pão, batatas, bolos e massas. Quando se dá a digestão dos alimentos – processo de desagregação da comida no estômago e intestino delgado – o amido não digerido entra no cólon (intestino grosso).

Estes bacilos vão se alimentar de amido não digerido que existe nos alimentos consumidos pelo paciente nas últimas 3\4 horas.

Segundo a teoria de Alan Ebringer, quando um paciente (com ea) come alimentos amiláceos (pão, batatas, bolos e massas), os bacilos Klebsiella alimentam-se do amido presente e multiplicam-se. Em seguida, o sistema imunológico do paciente produz anticorpos contra o microorganismo e alguns destes anticorpos terão actividade, também, contra as células HLA-B27 – contra o colágenos da coluna, olhos (uveíte) e outros orgãos.

Foi depois de muitas pesquisas, que Alan Ebringer chegou à Dieta sem Amido

Sejam bem vindos!