Professor Universitário Val Fontoura Entrevista Sobre EA

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Dor lombar durante repouso pode ser espondilite anquilosante

Conheça a história do professor universitário Val Fontoura, que adotou um novo ritmo de vida depois de ser diagnosticado com a doença
Uma queixa comum entre todos os sexos e idades: a dor nas costas. O que não pode ser comum é deixar de procurar um especialista para o diagnóstico de como anda a saúde. O Hojemais conversou com a reumatologista Joara Martins da Silva Gordo de Paula, que alertou sobre a Espondilite Anquilosante, doença que causa dor lombar durante o repouso. Então se você sente ou conhece alguém que acorda com desconforto na coluna, acompanhe o conteúdo que preparamos para alertar sobre a importância do diagnóstico precoce dessa patologia.
A Espondilite Anquilosante atinge ambos os sexos, mas principalmente os homens e surge no final da adolescência. Os sintomas são dor lombar ou nas nádegas, consequência de uma inflamação na coluna. Essas dores surgem durante o repouso. “O paciente acorda com dor, com as costas ‘travada’, mas ao longo do dia vai melhorando”, e completou falando que dor nos pés também é característica da patologia”.
“Sua vida está em um pique e a doença te leva a outro” (Val Fontoura)
Val Fontoura
Créditos Hoje +

A causa é multifatorial e a doença é rara, segundo a médica. “É uma doença que o próprio organismo produz. É uma alteração genética chamada HLA-B27”, explicou.

A cada 1 mil pessoas, 77 tem o fator genético e 3 desenvolvem a doença. Em Três Lagoas, a médica em 6 pacientes de Espondilite Anquilosante.
A doença não tem cura, mas possui tratamento, que é feito a partir de medicamentos antinflamatórios associados a exercícios físicos e biológicos, sendo esse último item descrito, um dos responsáveis pela garantia de mais qualidade de vida dos pacientes nos últimos anos.
A orientação deixada pela médica é clara: “Sentiu dor lombar ou rigidez, procure um reumatologista. Se não tratar, a inflamação pode calcificar, a coluna perde a mobilidade e pode causar sequelas. Quanto antes for feito o diagnostico, maiores são as chances não ficar com sequelas”.
“Meu pensamento era: Vou ficar inválido; Isso me fez surtar” (Val Fontoura)
A (nova) vida dele começou aos 40
Sabe aquele ditado de que “a vida começa aos 40”? Pois bem, assim foi para o professor universitário Valdeci Fontoura, o Val, como é conhecido carinhosamente pela centena de alunos da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), campus I, de Três Lagoas. Mas ela começou de um jeito diferente. O educador teve que iniciar uma nova vida depois de ser diagnosticado com Espondilite Anquilosante.
Val descobriu a doença em 2014, mas já eram refém das dores e rigidez lombar desde a adolescência, entretanto, tratava da doença como se fosse uma lombalgia inespecífica, tomando corticoide, o que enfraqueceu seus rins, devido vários anos de uso continuo do remédio receitado para um diagnóstico errôneo.
Val conta que uma crise de dor na coluna, durante a madrugada de um final de ano o levou ao hospital onde por intermédio do médico que estava de plantão conheceu a reumatologia Joara. No mesmo dia ela propôs exames a ele e foi a primeira vez que ele ouviu duas palavras que o deixou reflexivo: Espondilite Anquilosante. “Eu tive medo e também queria muito ir embora para casa, então eu neguei tudo o que a médica perguntou”, disse o professor.
Entretanto a médica havia pedido exames genéticos, que comprovaram que Val tinha a patologia. “Comecei a pesquisar sobre a doença antes mesmo do retorno. Logo depois questionei minha mãe sobre histórico na família e não encontramos, mas alertei todos os parentes, tanto da parte do meu pai, quanto da minha mãe, porque não fui o primeiro e nem serei o último a ter essa alteração genética”, contou.
Foi logo depois do diagnóstico que o professor entrou em processo de negação e buscou por uma psicóloga. “Você está com sua vida em um pique, a doença te coloca em outro. Meu pensamento era: Eu vou ficar inválido; isso me fez surtar”, lembrou.
O tratamento foi iniciado, as vacinas de Val foram refeitas e o Programa de Assistência à Saúde (PAS), da UFMS de apoio ao professor, fornecendo as quatro primeiras doses de um medicamento de alto custo. “A depressão foi reflexo do seguinte pensamento: como você estuda tanto, chega ao topo da carreira, como professor de uma universidade pública e não tem renda para o tratamento médico? A caixa custa R$ 8 mil”, contou Val.
Atualmente ele recebe o medicamente gratuitamente, depois de aprovação do Ministério da Saúde.
Apesar de tardia, a busca por um diagnóstico feito pela especialista garantiu a Val um tratamento que pode garantir a ele melhor qualidade de vida, e evitar sequelas que são causadas quando a doença não é tratada. “Como parte do tratamento, tomo antidepressivos específicos para quem tem dor crônica, isso tem auxiliado na aceitação da doença e maior cuidado com minha saúde”.
O professor também tem aliado os medicamentos à prática de exercícios físicos. Ele pratica natação antes do trabalho e faz o percurso de casa para a universidade de bicicleta.
O TRABALHO
Apesar de ter como companheira permanente uma bengala, ele a usa apenas para percorrer a pé por caminhos mais extensos.
Depois de longos meses de licença médica, o professor retorna as atividades. “Não estou voltando à minha vida de antes, estou voltando ao trabalho em uma nova vida”.
A rotina de Val mudou depois de sua reorganização de prioridades. “Eu pretendo prosseguir minha carreira profissional, então dou uma pausa a alguns projetos para cuidar da minha saúde e seguir para um doutorado”.
ALERTA
Assim como a reumatologista, o professor também orienta que aqueles que sentem dor ou rigidez na coluna durante o repouso, que procurem um especialista. “Apesar do diagnóstico tardio não tenho um centímetro de osso crescido. Estou confiante que as sequelas não vão surgir”.
Não vire costas à dor de costas”, concluiu o professor, fazendo referência ao slogam de uma campanha em Portugal, para conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce da doença.
Créditos: Hoje Mais 

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