Espondilite Anquilosante, sintomas, diagnóstico, prognóstico e tratamento

Espondilite Anquilosante (EA), sintomas, diagnóstico, prognóstico e tratamento – A espondilite anquilosante é um tipo de inflamação que afeta os tecidos conjuntivos, caracterizando-se pela inflamação das articulações da coluna, das grandes articulações, como quadris, ombros e outras regiões. Nessa página veremos: Espondilite Anquilosante, sintomas, diagnóstico, prognóstico e tratamento

Espondilite Anquilosante, histórico, epidemiologia, genética e clínica

História da Espondilite Anquilosante (EA)

A Espondilite Anquilosante, foi provavelmente reconhecida inicialmente como uma doença diferente da artrite reumatoide, foi reconhecida por Galeno no segundo século (d.C.). De qualquer forma, evidências esqueléticas da doença, (ossificação das articulações, êntesis, envolvendo primariamente o esqueleto axial, conhecido como coluna em bambú) foram vistas no esqueleto de um homem, com mais de 5000 anos encontrado em escavações arqueológicas egípcias.
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Wladimir Bechterew (1857-1927)
ESPONDILITE ANQUILOSANTE: ONTEM E HOJE © 2009, by Valderílio Feijó Azevedo – Meirelles, Eduardo de Souza.

1. O que é Espondilite Anquilosante? 

2. O que causa a Espondilite Anquilosante?

3. Qual a prevalência da espondilite anquilosante?

4. Quais são os riscos de filhos de pacientes com espondilite anquilosante também apresentarem a doença?

5. Quais são os sintomas da espondilite anquilosante?

6. Quais são os órgãos e tecidos afetados pela Espondilite Anquilosante?

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Órgãos e Tecidos Afetados Pela Espondilite Anquilosante 

Articulações da coluna vertebral: inflamação das articulações da coluna que causa dores e rigidez matinal. A doença começa nas juntas entre o sacro e a pélvis, denominadas juntas sacroilíacas (sacroíleite).

Outras articulações: inflamação das articulações dos quadris, ombros, joelhos e tornozelos são as partes afetadas com maior frequência. O efeito nessas juntas é similar àquele na coluna. Pode haver um período de dor na junta, talvez até com a ocorrência de algum inchaço, porém o tratamento alivia os sintomas.

Ossos: Algumas vezes, ocorrem locais sensíveis ou dolorosos, em ossos que não fazem parte da coluna, como o osso do calcanhar, tornando–se desconfortável ficar em pé em chão duro (Fascíte Plantar), e o osso ísquio da bacia, tornando as cadeiras duras muito desagradáveis.

Olhos: uveíte ou irite – inflamação da região colorida do olho (íris) ocorre em um a cada sete pacientes. Os pacientes apresentam olhos avermelhados e doloridos, o que deve ser reportado ao médico o mais rapidamente possível, pois pode ocorrer um dano permanente. Se não houver um médico à disposição, deve-se ir diretamente para um hospital que possua um pronto–socorro ou um departamento de oftalmologia.

alt="Artrite psoriática/psoriásica"
Uveíte

Coração, pulmão e sistema nervoso central: são complicações raras, afetando menos de um entre cem pacientes. A inflamação pode afetar as válvulas do coração, as articulações ou os discos entre as vértebras, podendo assim comprimir um nervo ou a medula óssea, causando dormência, fraqueza muscular ou dores. O pulmão raramente é diretamente afetado, mas pode ocorrer uma fibrose na sua parte superior. O pulmão pode ser indiretamente comprometido pela diminuição da expansibilidade da caixa torácica, essa causada pela espondilite anquilosante. Portanto, o paciente espondilítico nunca deverá fumar.

Pele: psoríase, uma condição inflamatória comum da pele, caracterizada por episódios frequentes de vermelhidão, coceira e presença de escamas prateadas, secas e espessas, pode estar associada à espondilite anquilosante em alguns pacientes.

Intestino: a colite, ou inflamação do intestino, pode estar associada à espondilite anquilosante em alguns pacientes.

alt="Sinais precoces de Espondilite que a maioria desconhecem"

7. Como diagnosticar a espondilite anquilosante?

8. Como distinguir a espondilite anquilosante de outros problemas de coluna?

9. É possível fazer um diagnóstico precoce?

10. Como a Espondilite Anquilosante pode progredir?

11. A espondilite anquilosante pode prejudicar a vida profissional do paciente?

12. A doença interfere na atividade sexual?

Geralmente, a espondilite anquilosante não interfere na atividade sexual, a não ser que o quadril seja afetado, caso em que a moderna operação denominada artroplastia do quadril, se faz consideravelmente útil na liberação dos movimentos.

13. Existem riscos na gravidez de mulheres com espondilite Anquilosante?

A gravidez em mulheres com espondilite anquilosante não traz danos para a mãe ou o bebê, mas, diferentemente de outras formas de reumatismo, a espondilite anquilosante não melhora durante este período. Os bebês geralmente nascem da forma normal, mas, eventualmente, é necessária uma cesariana caso as juntas do quadril tornem-se muito rígidas.

14. Como é o tratamento da espondilite anquilosante?

15. Como é o tratamento medicamentoso convencional?

16. E o que são as recentes terapias biológicas?

17. Dúvidas frequentes

A) Existem outras alternativas para aliviar a dor?

O paciente pode utilizar o calor que, em todas as suas variadas formas, ajudará no alívio da dor e rigidez. Um banho quente após o descanso, uma bolsa de água quente ou um cobertor elétrico podem ser suficientes. Não é necessário utilizar lâmpadas especiais.

B) A acupuntura pode ser utilizada no tratamento?
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Acupuntura e espondilite

Embora até o momento não haja provas de que a acupuntura seja efetiva no tratamento da doença, existem evidências de que essa terapia, desde que realizada por profissional habilitado, apresenta bons resultados no alívio da dor crônica. Não se engane submetendo-se a tratamentos dispendiosos que não tenham sido comprovados cientificamente. Para pacientes com pescoço rígido, a manipulação pode ser perigosa.

C) Como a cirurgia pode auxiliar no tratamento?

É utilizada com maior frequência para restaurar os movimentos de juntas do quadril danificadas (artroplastia) e, raramente, para posicionar corretamente as costas ou o pescoço daqueles que se tornaram tão afetados pela doença a ponto de não conseguirem olhar para frente, tendo dificuldades até para atravessar uma rua.

D) Qual é a importância dos exercícios?

O propósito dos exercícios é conscientizá-lo de sua postura, especialmente com relação às suas costas, e encorajar o movimento livre de algumas juntas, particularmente ombros e quadris. É importante fortalecer os músculos, pois o movimento reduzido, mesmo por um curto período de tempo, enfraquece-os, podendo levar muito tempo para reconstruí-los.

E) Quais são os objetivos da fisioterapia?

Provavelmente, em algum momento, o paciente receberá tratamento de algum fisioterapeuta. Ele deve aprender uma rotina de exercícios que poderá praticar todos os dias.

Os exercícios são indicados com base nas necessidades individuais de cada um. O paciente deve ir a um departamento de fisioterapia durante uma ou duas sessões para aprender os exercícios. Contudo, o fisioterapeuta não fará seu tratamento sem receita ou carta de um médico, que dever ser consultado em primeiro lugar.

F) Como o paciente deve agir durante o tratamento?

Como parte do tratamento da espondilite anquilosante, é importante que ele cuide de sua saúde e postura. Isso inclui evitar o excesso de peso e de cansaço por longos períodos de trabalho ou por excesso de compromissos. O lema para o tratamento, o qual cada paciente deveria aprender e obedecer, é:

“É FUNÇÃO DO MÉDICO ALIVIAR A DOR E É FUNÇÃO DO PACIENTE PRATICAR EXERCÍCIOS E MANTER BOA POSTURA.”

Os princípios de tratamento são:

1. Tomar cuidado com a saúde geral e prestar atenção à dieta;

2. Insistir nos exercícios que visem à manutenção da postura e mobilidade das juntas afetadas pela doença. A postura, portanto, é extremamente importante quando estiver no trabalho, se divertindo ou dormindo;

3. Consultar o médico se necessitar de alívio para a dor ou controle medicamentoso para a fase aguda da espondilite anquilosante;

4. Não temer os medicamentos para controlar a dor. Uma vez controlada, é possível aplicar um programa regular de exercícios, os quais controlarão, por si só, a dor, fazendo com que os remédios se tornem menos necessários;

5. Cooperar com o médico, fazendo avaliações periódicas de sua saúde geral.

G) Quais são os cuidados que o paciente deve ter com a coluna?

1. Deitar-se de bruços em uma superfície firme por cerca de 20 minutos a cada manhã ou começo de noite.

2. Repetir os exercícios de respiração profunda em intervalos frequentes durante o dia.

3. Tomar cuidado com sua postura – corrigindo-a constantemente, não somente durante os exercícios, mas também enquanto sentado, em pé ou andando.

4. Fazer alguns dos exercícios todos os dias.

H) Como deve ser o repouso?

Se a espondilite anquilosante estiver muito ativa e a rigidez bastante problemática, podem ser necessários um descanso temporário do trabalho ou uma estadia em um hospital. Isso não significa permanecer imóvel, pois isto poderia acelerar a rigidez da coluna. Deve-se praticar exercícios para as costas, tórax e membros, para mantê-los maleáveis.

Quando deitado na cama, é importante que o paciente se mantenha em posição perfeitamente horizontal, deitado de costas e, também, algumas vezes, deitar-se de bruços.

O ideal é deitar de bruços por 20 minutos antes de levantar pela manhã e 20 minutos antes de dormir à noite. A princípio, é possível que ele não tolere mais que 5 minutos de cada vez ou necessite de um travesseiro sob o tórax, mas, com a prática, conforme a coluna relaxa, torna-se mais fácil. Se isso tornar-se um hábito, auxiliará para evitar que suas costas se encurvem. Embora deitar de bruços possa não ser prático, algum tempo dedicado a isto é melhor do que nada.

I) A cama e o colchão do paciente devem ser adaptados?

O colchão deve ser firme e sem depressões. Se estiver deformado, o paciente pode utilizar uma tábua adequada entre o colchão e o estrado da cama. Uma folha de compensado de 70 x 150 x 1 cm é o ideal. É mais confortável deitar-se dessa forma do que em uma cama muito flexível.

Posteriormente, quando a fase ativa dolorosa da espondilite anquilosante tiver passado, é importante manter a cama rígida, evitando qualquer tendência de curvatura da coluna. Se o paciente estiver viajando ou em um hotel, pode colocar o colchão no chão e dormir sobre ele.

J) Quais são os cuidados com a postura ao sentar?

Como a espondilite anquilosante, quando não tratada, causa flexão contínua ou fixa da coluna (o paciente torna-se cada vez mais imóvel), deve-se permanecer o mais ereto possível.

É muito improvável que a coluna se enrijeça totalmente, mas, caso aconteça, o paciente deve fazer o possível para que permaneça reta. Muitos pacientes acham que cadeiras altas com assento firme e encosto reto, embora menos confortável, são melhores para a postura da coluna.

O assento da cadeira não deve ser muito longo, entre o encosto e a ponta, pois a pessoa terá dificuldades em posicionar a coluna lombar na base do fundo da cadeira. O paciente não deve permanecer muito tempo sentado em cadeiras baixas e macias, pois isso resulta em má postura e dor excessiva.

K) Coletes e cintas podem ajudar a manter a postura ereta?

Eles não têm, em geral, nenhum valor, podendo até piorar a espondilite anquilosante. É melhor desenvolver seus próprios músculos e permanecer em postura ereta por meios naturais. Ocasionalmente, algum tipo de cinta pode ser necessário, por exemplo, após uma lesão nas costas. Porém, essa decisão deve ser tomada por um médico experiente no tratamento da doença.

L) O que o paciente pode fazer no trabalho para prevenir a coluna “torta”?

• Postura: prestar atenção especial à posição das costas quando estiver trabalhando, de modo que não precise se encurvar. Se sentar em uma cadeira ou banco, certificar-se que o assento esteja na altura apropriada e não permaneça na mesma posição por muito tempo, sem mover suas costas.

• Diminuir atividades: se ele tiver um trabalho pesado ou estafante, não deve se engajar em outras atividades em casa ou em outro lugar até que tenha descansado e, se necessário, deitado por algum tempo.

• Repouso: também pode ser de grande auxílio, deitar-se por 20 minutos ao meio dia e, dentro desse intervalo, permanecer alguns minutos deitado de bruços.

• Procurar ajuda: se o trabalho é totalmente inadequado, envolvendo muita tensão nas costas ou exigindo que se curve, relatar isso a seu médico. Ele é capaz de aconselhá-lo a adaptar-se ao trabalho, envolvendo até mudanças de atividade. Alguns pacientes com espondilite anquilosante obtiveram êxito explicando suas necessidades a seus patrões e médicos.

M) Que cuidados o paciente espondilítico deve ter ao dirigir um automóvel?

Se tiver de dirigir durante muito tempo, é importante parar por cerca de 5 minutos e sair do carro para espreguiçar. A dor e rigidez podem distrair sua atenção, a qual é vital para sua segurança.

Muitos pacientes com rigidez do pescoço e de outras partes da coluna têm dificuldades em estacionar em marcha-ré, seja em vagas comuns ou garagens. É possível utilizar ou adaptar espelhos especiais para auxiliar o motorista. É importante que se pratique, utilizando a nova técnica, em uma grande área aberta com alguns obstáculos leves de madeira, os quais funcionariam como marcadores (um pedaço de cabo de vassoura fixado no solo pode ser útil para este propósito).

Apoios para a cabeça são aconselháveis para impedir lesões no pescoço devido à desaceleração repentina. O pescoço enrijecido de um paciente com espondilite anquilosante é lesionado mais facilmente do que um pescoço normal. Um emblema de motorista deficiente pode ser apropriado se o paciente não puder caminhar muito rapidamente, o que é raro em casos de espondilite anquilosante.

N) O paciente pode praticar qualquer tipo de esporte?

Muitos pacientes perguntam quais atividades esportivas são apropriadas para eles. A atividade ideal é a natação, de preferência em piscina aquecida, pois utiliza todos os músculos e juntas sem friccioná-los.

O nado regular é algo que toda a família pode fazer. Alguns pacientes jovens gostam de correr em campos, de jogar tênis ou andar a cavalo. Esportes de contato não são indicados, pois as juntas podem ser danificadas.

Andar de bicicleta também é uma forma de exercício bastante benéfica, pois mantém as juntas ativas, dando maior força às pernas. Além disso, é um bom exercício de respiração e auxilia na expansibilidade do tórax, por vezes diminuída pela espondilite anquilosante.

Links importantes:

Sociedade Brasileira de Reumatologia  Av. Brigadeiro Luis Antonio, 2.466 gr. 93-94 CEP 01402-000 – São Paulo – SP Fone/fax: 55 11 3289 7165

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