Espondilite Anquilosante e Tratamento Odontológico

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Na Espondilite Anquilosante é difícil citar algo que não seja acometido e infelizmente a boa no geral não é uma exceção, veja nessa matéria sobre: Espondilite Anquilosante e Tratamento Odontológico

Espondilite Anquilosante e Tratamento Odontológico

Sua visita ao dentista é importante para todo seu corpo, não apenas para seus dentes e gengivas. É importante estar ciente dos efeitos da espondilite sobre a saúde da sua boca, bem como as áreas de cabeça e pescoço. Em sua consulta odontológica inicial é importante discutir seu histórico de saúde com o seu dentista. Por exemplo, embora a espondilite anquilosante afete primariamente a coluna vertebral, outras partes do corpo podem estar envolvidas, incluindo a boca. Há efeitos secundários da terapia com drogas que podem causar boca seca, infecção ou degeneração do osso maxilar. A osteoporose secundária pode afetar o osso da mandíbula e da ATM, articulação que permite o movimento da mandíbula.

Têm sido encontradas correlações entre problemas de saúde bucal e doença sistêmica. Esteja ciente de que a EA é um possível fator que pode levar à disfunção da articulação temporomandibular, limitando a abertura da boca e mastigação de elementos sólidos, bem como comer frutas como maça e bananas.

Na cadeira odontológica

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Espondilartrites, são doenças articulares axial e periférica e tem um efeito sobre a postura e posicionamento da sua cabeça, pescoço e todo corpo . A rigidez da coluna cervical ou deformidades podem fazer a cadeira odontológica ser desconfortável. Sentar-se na cadeira odontológica por longos períodos de tempo e algumas posições são difíceis, sendo necessário estabelecer previamente, um limite de dificuldades pra ambos, facilitando o sucesso do tratamento fadiga é comum entre as pessoas com espondilite anquilosante (EA). Ela está associada com a inflamação e dor, em muitos casos. Seu dentista deve estar ciente dessas dificuldades no momento do agendamento. Pode haver uma necessidade de um atendimento mais curto ou fazer com que seu dentista alterne momentos de atendimento e alongamento para mudar de posição  para aliviar a dor e rigidez. Combine com seu dentista gestos para que ele saiba do desconforto, como levantar a mão. Muitos procedimentos odontológicos exigem pressão ou vibração. Estes vão desde a utilização de uma broca, ultrassom ou um instrumento cirúrgico. Seu dentista precisa saber quais tipos de medicamentos você utiliza, que pressão, força e movimentos bruscos pode causar subluxação nas áreas maxilares e pescoço. Para todos os procedimentos deve-se incluir a avaliação da erosão óssea cervical e anquilose.

Veja também: Espondilite e disfunção da ATM

Osteoporose

A osteoporose secundária e ossos frágeis devido à espondiloartrite tem um efeito sobre a boca e articulações circundantes. Mesmo no osso maxilar que prende os dentes pode ser afetado. A osteoporose leva a remodelação óssea osteoclástica e uma má qualidade óssea levando à perda de dentes, disfunção temporomandibular e fratura da mandíbula deve ser levada em consideração. Dependendo do grau de atividade de osteoporose, reumatologistas e outros médicos podem prescrever uma classe de drogas conhecida como bisfosfonato, que evita a deterioração do osso. Após extração ou reconstrução óssea pode levar a área afetada a ter osteonecrose. É extremamente importante que informar o seu dentista do uso de todas medicações que está fazendo uso. Uma rotina  de visita ao dentista para exames e limpezas periódicas a cada seis meses deve ser adotada. Preservando a sua dentição natural promove uma melhor nutrição. A maioria dos pacientes não consomem os níveis recomendados de cálcio. A suplementação com cálcio e vitamina D pode ser necessária para alcançar e manter a massa óssea, exercício de musculação para prevenir a osteoporose deve ser considerado. Consulte o seu dentista e reumatologista para determinar a melhor maneira de gerir o seu tratamento. Isso pode incluir a determinação da densidade mineral óssea (Desintometria).

Síndrome de Sjögren secundária

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Síndrome de Sjögren secundária

Espondilite pode causar Síndrome de Sjögren secundária, uma desordem auto-imune do tecido conjuntivo. Ela é caracterizada por inflamação das glândulas exócrinas (cujas condutas em última análise, abrem para as superfícies externas do corpo) leva a hipofunção secretora e a secura das superfícies das mucosas, mais comumente dos olhos e da boca. A manifestação mais frequente de Sjögren é boca seca (xerostomia). glândulas salivares parótidas inchadas podem ocorrer simultaneamente. Em casos graves, ulceração e infecções fúngicas da mucosa da boca pode ocorrer. boca seca, pode causar a cárie dentária grave.  A saliva contém ions de cálcio e fosfato, que são responsáveis pela remineralização do esmalte. Isto protege a superfície do esmalte e destruição de bactérias formadoras de ácido na boca. A boca seca causa dificuldade em comer, engolir e falar. Os pacientes com Síndrome de Sjögren secundária deve visitar seus dentistas com mais freqüência, a fim de prevenir a cárie dentária grave ou doença gengival. Um regime rigoroso em casa de higiene oral é uma excelente medida preventiva. O esmalte é mais fino sem fluxo salivar, doenças periodontal pode ocorrer frequentemente.

Terapia de reposição salivar para os sintomas da boca seca estão disponíveis por receita médica ou sob a forma de anti-sépticos bucais, cremes dentais e pastilhas sem açúcar e gomas contendo xilitol. Com a orientação de seu dentista, terapia com flúor pode proteger os dentes, lubrificantes orais com a vitamina E podem ser eficazes e calmante do tecido irritado que revestem a boca.

Certos medicamentos  podem causar secura da boca e, portanto, exacerbar a condição. O álcool tem um efeito de secagem e, portanto, deve ser evitado em bebidas e em bochechos. Bebidas que contêm cafeína (café, chá, alguns refrigerantes) agem como diuréticos e promovem a perda de fluido podendo piorar a boca seca. Respiração oral também pode agravar a condição e, portanto, são incentivados a tentar aumentar a respiração nasal, se for esse seu caso um consulta com otorrinolaringologista se faz necessário. O ar ambiental  muito seco como exposição ao ar condicionado pode ser muito seco, especialmente no inverno, pode também piorar seu estado. Portanto, a utilização de um umidificador, especialmente durante a noite, é encorajada.

Dentistas muitas vezes têm a oportunidade de reconhecer inicialmente Síndrome de Sjögren secundária. Com o seu co-diagnóstico, a intervenção precoce pode levar a gestão preventiva adequada, minimizando ou eliminando as consequências negativas para a saúde,  cárie dentária ou doença gengival levando à perda do dente.

Anti-TNF alfa

Os efeitos de drogas imunobiológicos, tais como os bloqueadores de TNF alfa (Enbrel, Humira, Remicade, Simponi), pode aumentar o risco de infecções graves em comparação com a população em geral, de acordo com estudos clínicos. Por conseguinte, recomenda-se que estas drogas não deve ser iniciado em alguém que tem uma infecção ativa dentária. Pode ser  melhor  evitar esses medicamentos no caso de infecções dentárias. Bloqueadores de TNF deve ser interrompido temporariamente quando uma infecção dentária grave for desenvolvida ou quando os antibióticos são necessários para tratar uma infecção. Com infecções menores, a critério do seu médico, terapia anti-TNF pode ser continuada porque os benefícios podem superar os riscos de pará-lo temporariamente. Com cirurgia eletiva, com o tratamento cirúrgico das gengivas ou a colocação de implante pode ser necessário interromper o anti-TNF porém não há recomendações das empresas farmacêuticas quanto à necessidade  ou não de interromper temporariamente o tratamento, uma vez que existem dados limitados e conflitantes sobre o efeito de bloqueadores de TNF no resultado cirúrgico. Portanto, consultar os seus profissionais médicos e odontológicos quanto às suas recomendações.

Doença periodontal (gengiva)

A higiene bucal adequada é especialmente importante para aqueles com espondiloartrite. Um estudo recente (doença periodontal em pacientes com espondilite anquilosante; Pichon N et al;. Ann Rheum Dis 2010 Jan; 69 (1); 34-8) mostra que os pacientes com EA têm um risco significativamente maior de doença periodontal (gengiva). Desordens inflamatórias crónicas mediadas por fatores auto-imunes tais como artrite reumatóide (AR) e doença inflamatória do intestino tais como a doença de Crohn também foram encontrados e pode ser associado com a doença periodontal. A doença periodontal é uma infecção bacteriana causada por agentes patogénicos na placa que cobre os dentes. Existe evidência emergente de que alguns agentes patógenos pode aumentar a intolerância imunológica ou amplificar a resposta auto-imune que resulta em destruição inflamatória dos tecidos.

Disfunção da articulação temporomandibular

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Disfunção Temporomandibular

A articulação temporomandibular (ATM) é um articulação bilateral da mandíbula inferior, que permite o movimento de rotação inicial da mandíbula seguido por um movimento de translação. Dor e disfunção da ATM é referida como disfunção da articulação temporomandibular (DTM), que é comumente percebida quando se ouve como um clique ao abrir e fechar a boca. A inflamação e a dor pode ocorrer quando o deslocamento do disco fibrocartilaginoso entre osso e cápsula articular é deslocada e há compressão do osso, artérias, veias e nervos. A artrite é uma condição comum que afeta a ATM. artrite degenerativa e AR são mais frequentemente associadas. Casos de distúrbios da ATM relacionada EA foram relatados. Algum movimento limitado destas articulações ocorrem em 10% dos pacientes com EA. No maior tempo com EA, a incidência pode aumentar até  30-40%.  A maioria das pessoas com DTM pode atingir um bom alívio dos sintomas com o tratamento mais conservador. Movimentação dentária ou perda devido à doença periodontal ou cárie dentária pode alterar a mordida (oclusão), levando a uma maior degeneração dos componentes desta articulação.

Saúde oral e doença sistêmica

Em parceira com seu dentista, deixando-o plenamente consciente do que é a espondiloartrite, e fornecendo uma histórico médico e de drogas utilizadas, fornecendo informações importante para o seu tratamento e saúde em geral. É importante uma higiene meticulosa e visita continua ao seu dentista, tal como faz com o seu reumatologista. A saúde bucal é um componente da saúde sistêmica. Estamos começando a entender mais e mais as ligações entre a má saúde bucal e outras doenças do corpo. Também deve ser enfatizado que espondilite tem a possibilidade de predispor os doentes a infecção oral, e uma vez que a infecção é estabelecida, ela pode agravar outros problemas sistêmicos.

“Apenas um raio de sol é suficiente para afastar várias sombras.” (São Francisco de Assis)

Fonte: SAA

Revisão: Dra Eliza Mara Resende                                          CRO MG-1722                         ABCD MG- 55630

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