Coexistência de Espondilite Anquilosante e Granulomatose

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Relato de caso da coexistência de Espondilite Anquilosante (EA) e granulomatose

Ludimila de Assis Moreira, Glaydson Jeronimo da Silva, Paulo Henrique Tavares Nava, Mayana de Pina Lobo, Letícia Caetano Adorno, Luciany Victor de Andrade, Mariana Vieira de Oliveira, Tainara Aires Rodrigues, Lívia Barros de Andrade

Santa Casa de Misericórdia de Goiânia, Goiânia, GO, Brasil

20160924_152926_20161127160633578Introdução: A sobreposição de doenças reumatológicas é um fator confundidor para o diagnóstico precoce. O objetivo desse relato é discutir um caso raro de overlap de granulomatose de Wegener (GW) e espondilite anquilosante (EA), revisando os aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos, clínicos e terapêuticos das síndromes diagnosticadas.

Descrição: E.B.C 49 anos, sexo masculino, branco, iniciou quadro de otorragia, zumbidos e cefaleia associados à febre recidivante em dezembro/2015. Internado após 2 meses com perda auditiva total além de pansinusopatia e otomastoidite. Internações e antibióticos sem melhora. Evoluiu com dispneia, tosse seca e astenia intensa associada à artralgia de grandes articulações e cervicalgia. O quadro progrediu para paresia de membros superiores, seguida de quadril e membros inferiores. No período, apresentou perda ponderal de 10 kg. Cerca de 90 dias do início do quadro, desenvolveu úlceras orais, epistaxe e disfagia, seguido de hemorragia digestiva alta e hematúria macroscópica. Foi reinternado e feito o diagnóstico de GWa partir de lesões granulomatosas em tomografia de tórax; dosagem de C-ANCA positiva e videonasofibrolaringoscopia. Por histórico de lombalgia inflamatória, foi diagnosticado com EA pelo HLA-B27 e sacroileíte radiográfica. Tratado com antibioticoterapia e corticoterapia intravenosos, o paciente voltou à fonação normal e recobrou parcialmente a audição. Na alta hospitalar, foi encaminhado para tratamento com infliximabe.

Discussão: O relato ilustra as manifestações clínicas e os achados de exames complementares característicos de duas doenças reumatológicas pouco incidentes. A opção pelo infliximabe deve-se à sua ação na EA, além de haver publicações sugerindo seu benefício nas vasculites ANCA positivas. Apesar de faltar trials randomizados suficientes, devido ao reduzido número de casos, a utilização do imunossupressor na GW é justificada pela severidade das lesões na ausência de tratamento, com mortalidade na ordem de 90%.

Fonte: REV BRAS REUMATOL. 2016;56(SUPL 2): S1-S178

 

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